domingo, 21 de dezembro de 2014

Comandante da Velha Guarda

Meu pai era um comandante da velha guarda. Começou suas atividades na marinha mercante no final da década de 40, conforme já mostrei aqui neste blog. e ao que parece, chegou relativamente rápido ao cargo de comandante. Na marinha mercante, os Oficiais de Náutica são o 2º piloto, 1º piloto, imediato e em seguida o comandante, que começa sua carreira como capitão de cabotagem e a completa como capitão de longo curso.
A imagem seguinte, do ano de 1969, mostra o título de sócio proprietário nº 15 do Centro dos Capitães da Marinha Mercante, uma associação da qual ele sempre fez questão de participar.

Eduardo Veiga de Mattos, título de sócio proprietário do Centro dos Capitães
Aliás, o Centro dos Capitães da Marinha Mercante CCMM, mantém uma Revista Eletrônica mensal, editada por um de seus diretores, o Comandante Ventura (CLC Luiz Augusto Cardoso Ventura). Na edição de novembro deste ano, a revista registrou este blog entre as suas recomendações, me deixando muito honrado, ao mencionar: "...um blog cujo mérito maior é enaltecer a vida de um Capitão-de-Longo-Curso que engrandeceu a nossa Marinha Mercante." Quem quiser conhecer o CCMM, e a sua Revista Eletrônica, visite no seguinte endereço: centrodoscapitaes.org.br

domingo, 2 de novembro de 2014

Vinte anos de saudades

EDUARDO VEIGA DE MATTOS
20 Anos de Saudades
02/11/1994 - 02/11/2014
Há exatos vinte anos, meu pai faleceu, deixando-nos na saudade, e com a responsabilidade de honrar seu nome e seu legado de honestidade, caráter, simplicidade, bom humor.
Este blog representa a minha singela homenagem a esse homem que até hoje me serve de inspiração e de referência.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Citações e pensamentos inspiradores

O registro de frases, pensamentos, citações, era um dos hábitos do meu pai. E gostava de fazer em qualquer papel, caderno, agenda, onde tivesse um espaço para escrever. Já mencionei aqui neste blog, uma das agendas que eu encontrei, repleta de anotações. Pois é dela que eu volto a extrair três citações, de origens completamente diferentes. Mas todas elas com a característica da inspiração e elevação do espírito.


Nem nas profundezas do espaço incomensurável, nem no meio do oceano imenso, nem nas gargantas sombrias das montanhas, encontrarás asilo onde possas escapar das consequências das tuas más ações. (Buddha)
 Faço tudo do melhor modo possível. Dou tudo o que posso. Se o fim for favorável à minha causa, o que se disser contra mim não terá valor algum. Se o fim me for contrário, dez anos jurando que procedi direito não farão a menor diferença. (Abraham Lincoln)
Aquele que não sabe e sabe que não sabe é um sábio. Siga-o. Aquele que não sabe e não sabe que não sabe, é um louco. Cautela com ele. (Provérbio Árabe)


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Homenagem do Centro dos Capitães da Marinha Mercante

Ao centro, o Comandante Álvaro, presidente do CCMM
Meu pai acreditava nos movimentos associativos. Era sindicalizado, sócio de clubes e associações profissionais, entre elas o CCMM - Centro dos Capitães da Marinha Mercante.

O CCMM completou 80 anos em 2013, tendo sido fundado em outubro de 1933 por um grupo de comandantes do Lloyd Brasileiro. No passado, grande parte dos comandantes dos navios brasileiros era composta de portugueses e ingleses. Foi em 1937 que o presidente Getúlio Vargas assinou o decreto de nacionalização do comando, abrindo espaço para o fortalecimento da marinha mercante brasileira e valorização profissional dos marítimos.


O primeiro a esquerda, de paletó branco,
 Comandante Luiz Antônio, um grande amigo.
As fotos registram a homenagem póstuma ao Comandante Veiga Mattos, realizada pelo Centro dos Capitães da Marinha Mercante, durante um almoço no Hotel Guanabara, no centro da cidade do Rio de Janeiro, provavelmente no início do ano de 1995. Eu e minha mãe fomos os convidados para receber a homenagem. Foi um momento emocionante, ao escutar as palavras de carinho e respeito por parte dos colegas de profissão do meu pai, entre eles o Arimathea, os comandantes Luiz Antônio, Ronaldo, Álvaro, João Batista. Infelizmente, não sei identificar todos os que estão nessas fotografias.




domingo, 31 de agosto de 2014

Durante a 2ª Guerra

Em 22 de agosto de 1942, o Brasil entrou na 2ª Guerra Mundial, quando o governo brasileiro tomou a decisão de se juntar aos "Aliados" (liderados por URSS, EUA e Império Britânico), contra as "potências do Eixo" (Alemanha, Itália e Japão). Meu pai, então com 19 anos, estava no arquipélago de Fernando de Noronha, servindo no Exército Brasileiro. A região passou por uma ocupação militar, a partir de fevereiro de 1942, por determinação do Conselho de Segurança Nacional, tendo em vista a sua localização estratégica para as forças militares aliadas.

Assim nos ensina a professora Marieta Borges*: "Cumprindo a determinação, cerca de três mil “pracinhas” foram enviados para o Arquipélago, com todas as dificuldades da arriscada travessia. Lá, por todos os lados, implantou-se o esquema de acomodação dos soldados e de recebimento e instalação de mais de cinqüenta canhões, de outros equipamentos bélicos e de veículos."

Eu já havia tratado desse assunto aqui neste blog, em dezembro de 2013, porém localizei mais uma foto histórica neste acervo pessoal sobre esse período e reproduzo aqui com a legenda, isto é, com a anotação escrita por ele no verso da foto, três dias após a formalização do reconhecimento do estado de guerra por parte do Brasil.

A seção da Floresta após o memorável tiro de 25-VIII-942. F.Noronha.
 Pesquisando na internet sobre o assunto, encontrei também a foto seguinte, onde, por coincidência, ele também aparece:



Dois anos depois, em 1944, ele já havia retornado ao Rio de Janeiro, onde, na condição de 3º sargento do Exército, completou o curso de aperfeiçoamento na Escola de Artilharia de Costa. Atualmente essa Escola funciona na Vila Militar, mas na época era na Fortaleza de São João, na Urca, onde hoje está a Escola Superior de Guerra. A anotação no verso é sucinta, mas na foto a marcação em volta do seu rosto é evidente.

Na Escola de Artilharia de Costa - Rio 1944

* Referência: Marieta Borges. Fernando de Noronha e a segunda guerra mundial. Disponível em marietaborges.blogspot.com.br. Acesso em 31 de agosto de 2014.

domingo, 10 de agosto de 2014

Outros momentos de lazer - no Japão

Em momentos de lazer, durante o período que ficou no Japão, em 1960, trabalhando na construção do N/T Presidente Deodoro, meu pai fez alguns passeios. As duas fotografias que selecionei para hoje, simbolizam bem esses momentos, na companhia do colega Mizutani. Observem que o traje era paletó e gravata, mesmo sendo um sábado! A primeira foto tem uma "legenda" escrita por ele no verso que dá explicações sobre o local.

No verso está escrito assim: "6-2-60. Tomando água num bar próximo a praia de Yuiga-hama ao sul da cidade de Kamakura, onde está a célebre estátua do grande Buddha. Esta praia continua em outra chamada Schichiriga-hama. Por aí se vê que praia em japonês é hama. Ambas dão para o golfo de Sagami. Em frente fica a ilha de Enoshima."
O mapa a seguir, ilustra o local descrito acima, para você se localizar.


Na foto seguinte, eles estão em frente à estátua do Grande Buddha de Kamakura. Essa estátua, no templo de Kotoku-in, é uma das mais conhecidas e visitadas no Japão. Instalada a céu aberta, construída no ano de 1252, em bronze e cobre, ela atrai visitantes de todo o mundo até hoje. Para conhecer mais sobre esse templo, visite o seu portal no endereço http://www.kotoku-in.jp

Em frente ao Grande Buddha de Kamakura, em 06/02/1960.


domingo, 27 de julho de 2014

Momentos de lazer em família

Nem sempre o período de férias escolares coincidia com as férias do meu pai. Ou embarcávamos com ele ou fazíamos algumas viagens curtas para aproveitar momentos em família.
Depois de tanto tempo colocando textos e imagens relacionadas ao trabalho, escolhi algumas fotos para mostrar esses momentos de lazer aqui neste blog. Todas as fotos são da década de 70, mas não identifiquei a data exata.

A primeira delas, mostra o casal Eduardo e Lélia, em Friburgo, no Hotel Bucsky. Um hotel que existe até hoje. Eles gostavam muito deste local e fomos várias vezes em período de férias.
No hotel Bucsky, em Friburgo
A próxima foto tem uma característica que se repete em outros momentos. Era comum viajarmos acompanhados de algum amigo ou parente. Neste caso, em São Lourenço, com o meu primo José Eduardo. Sempre fomos muito amigos, além de primos, e estávamos juntos em várias oportunidades.

José Eduardo, Ricardo e Eduardo em São Lourenço
Na sequência, pai e filho curtindo uma praia em Angra dos Reis. Ele preferia piscina, e raras vezes viajamos para locais de praia. Talvez porque ele estava sempre no mar e preferia mudar de ares... Aliás, acho que esta vez, em Angra, foi durante a construção do N/T Anápolis, que ficava ali pertinho, no estaleiro Verolme. E vejam que esta praia era quase uma piscina.

Ricardo e Eduardo, em Angra dos Reis.
E para finalizar esses momentos de lazer em família, um exemplo de como os marítimos celebravam as festas no próprio navio, quando não era possível conciliar essas datas com as férias. A foto mostra a mesa da ceia de Natal, na popa de um navio. Por uma indicação na lateral da foto, foi no Natal de 1976; portanto é quase certo que tenha sido no N/T Anápolis. O meu pai aparece de frente, sorrindo, eu estou meio de lado, logo atrás dele e ao fundo a figura querida do "doutor", como era chamado o enfermeiro de bordo, João Gonçalves.

Ceia de Natal a bordo, em 1976.

sábado, 24 de maio de 2014

Voltando ao Manual do Navegante

Um dos livros utilizados nos estudos iniciais do Comandante Veiga Mattos, foi o Manual do Navegante - Regras e preceitos da lide do mar. Tratei deste Manual em novembro de 2013, neste blog. Resolvi voltar a ele, pois o seu capítulo inicial é dedicado ao tema da nomenclatura e descrição sumária de um navio.

Almte. Ivens Ferraz, autor do Manual
O que eu tenho em mãos, é a quarta edição, de janeiro de 1950, tornando interessante a forma de apresentação dessas definições. Considerem que foi escrito em Portugal, por um oficial da Marinha Portuguesa, o vice-almirante Guilherme Ivens Ferraz (1865-1956), cuja foto eu coloquei aqui ao lado.

Essa trasncrição de alguns itens desse capítulo, eu dedico aos marítimos e aos que se interessam pelas fotos, histórias e artigos que eu vou colocando neste blog. E imagino o meu pai lendo e fazendo as suas anotações, a partir deste livro, no início de sua carreira profissional.


PARTE I
NOÇÕES SOBRE O ESTUDO DO NAVIO

CAPÍTULO I
Nomenclatura e descrição sumária de um navio

Navio, barco ou embarcação. - Chama-se assim a todo o flutuador estável, estanque e resistente destinado a navegar no mar.

Casco. - É o invólucro exterior do navio e que o torna impermeável à água. Consta de fundo, encolamento e costado e da sua forma dependem em grande parte a velocidade e qualidade náuticas do navio.

Proa (Pr.) é a parte anterior do casco oposta à popa, em forma de cunha para cortar fàcilmente o mar. Popa (Pp.) é a parte posterior do navio.

Estibordo (EB) e Bombordo (BB) são, respectivamente, os bordos direito e esquerdo do navio, olhando para a proa.

Convés. - É o chão de qualquer pavimento. Às primeiras fiadas de madeira ou chapa do convés junto às amuradas, chama-se trincants.

Estiva, bailéu e porão. - O espaço interno do navio abaixo do último pavimento chama-se estiva ou porão de estiva. Ao fundo da estiva chama-se bailéu. À parte mais baixa da estiva, para onde correm as águas de infiltração, chama-se porão ou sentina.

Âncoras. - Ou ferros, são peças que, lançadas para o fundo do mar, servem para sustentar os navios presos nos ancoradouros. Os ferros estão ligados ao navio por correntes, amarras, constituídas por anéis de ferro chamados elos. O comprimento da amarra é de 120 braças, divididas em quarteladas de 15 braças cada, ligadas por manilhas.

Leme. - É o aparelho destinado ao governo do navio, colocado à popa encostado ao cadaste, e compõe-se de madre, porta e cachola.

Paióis. - Espaços onde se arrumam mantimentos e artigos necessários aos serviços de bordo (Paióis de carvão, Paiol da amarra, etc.).

Tanques. - Destinados ao transporte de combustível líquido, água doce, etc.

domingo, 4 de maio de 2014

Ao Comandante LUZ

Nas minhas pesquisas para este blog, fiz contato com o Comandante Luz (José Maria Martins da Luz), que também trabalhou na Frota Nacional de Petroleiros - FRONAPE, atuando como Capitão de Longo Curso.
E descobri um enorme acervo de fotos e filmes relacionados à marinha mercante brasileira. Com certeza, o maior acervo pessoal de um marítimo. O Comandante Luz, organizou de uma maneira inacreditável, uma quantidade enorme de informações desde a sua formação até hoje, incluindo momentos de trabalho e lazer, com a família e os colegas e amigos.

Portanto, ele é um daqueles que vibra com a profissão e com o seu legado. Na troca de mensagens ele me informou que teve um contato com o meu pai, Comandante Veiga Mattos, em fevereiro de 1980, ao render as férias do Imediato Dias, no navio Anápolis.

Bom, divulgo aqui o endereço no qual o Capitão LUZ armazena esse maravilhoso acervo, imperdível para todos aqueles que se interessam pela marinha mercante e pelos marítimos:

https://www.flickr.com/photos/cmt-luz/sets/

E para ilustrar, escolhi esta foto do Comandante Luz, no N/T Aratu, provavelmente piloto naquela época.




domingo, 27 de abril de 2014

O que não se deve esquecer

Em dezembro do ano passado, eu escrevi aqui sobre o hábito do meu pai em realizar transcrições em cadernos, agendas ou qualquer papel. Naquela oportunidade, transcrevi um texto chamado "Prometa a si mesmo".

Daquela mesma agenda de 1981, que eu mencionei, escolhi agora outro texto anônimo para compartilhar neste blog, contendo 12 coisas que não se deve esquecer.

O que não se deve esquecer:
1- o valor do tempo; 2- a vitória da perseverança; 3- o prazer de trabalhar; 4- a dignidade da simplicidade; 5- o valor do caráter; 6- o poder da bondade; 7- a influência do exemplo; 8- o imperativo do dever; 9- a vitória da paciência; 10- a sensatez da economia; 11- o aperfeiçoamento do talento; 12- a alegria da criação.
Essas transcrições, eu voltarei a colocá-las aqui de vez em quando, pois são inspiradoras. Algumas delas, talvez por serem bem antigas, sequer estão disponíveis na internet. Esta, por acaso, eu encontrei em alguns sites, porém sem citação do autor. Portanto, permanece desconhecido.

Como eu disse anteriormente, ele usava o tempo livre nas viagens para ler e escrever. A televisão só pegava perto da costa, e os filmes, primeiro em rolos e depois em fitas de vídeo, só em horários marcados. Portanto, era um hábito útil e proveitoso.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Serviço Móvel Marítimo

Ouvir a voz das pessoas que amamos, mesmo quando estão distantes, é algo muito bom. Mesmo com toda a tecnologia de mensagens instantâneas, bate-papos eletrônicos, redes sociais etc, a voz ainda tem muita força emocional. Por isso, para os marítimos, em longas viagens, o surgimento do serviço de telefonia e rádio foi muito importante. Antes dele, somente telegramas e cartas ao se chegar a um porto, onde nem sempre era possível telefonar. Para os navios petroleiros, a viagem às vezes não chegava a um porto e a tripulação não ia em terra. (Eu explico: em alguns lugares, o abastecimento ocorria sem a necessidade de atracar o navio em um porto, pois isso ocorria em bóias às quais chegavam os oleodutos.)
Eu me lembro da dificuldade de localizar o navio e fazer contato no início desse serviço. Decorei dessa época o prefixo do N/T Anápolis, que era PPIB (Papa-Papa-Índia-Bravo). E aprendi a conversar com meu pai, a distância, falando "câmbio", pois de um lado era telefone e do outro o rádio VHF. Esse era o Serviço Móvel Marítimo. A reprodução abaixo, datilografada (isso mesmo), mostra os números de referência para essas ligações telefônicas e as instruções para o contato. Infelizmente, não tenho a referência de data deste papel, mas provavelmente é da década de 80.


Ao escolher este assunto, pesquisei sobre este serviço e descobri que ele ainda existe, e o número 141 ainda é a referência! E as estações costeiras também mencionadas acima. Porém, com um mesmo número nacional: 0800-7012-141.

A Embratel é a única prestadora do Serviço Móvel Marítimo (SMM) no Brasil. O SMM permite a comunicação através de rádio entre uma pessoa em terra e outra que esteja a bordo de uma embarcação e vice-versa, em qualquer parte do mundo. A empresa informa que este sistema ainda é o meio de comunicação mais usado pela comunidade marítima, embora exista a comunicação por telefonia celular e internet, mas esses serviços nem sempre estão disponíveis, dependendo da localização e da embarcação.

Como utilizar o serviço:
De terra para bordo: Para solicitar a ligação é necessário ligar para o Centro de Operações do Serviço Móvel Marítimo da Embratel, no telefone 0800 701 2141, informar os dados da embarcação, sua provável localização e o nome da pessoa com quem deseja se comunicar. Tão o logo seja mantido contato com a embarcação, a chamada será completada.
De bordo para terra: É necessário entrar em contato com o Centro de Operações do Serviço Móvel Marítimo da Embratel, através de um dos canais de chamada das faixas de freqüência de HF e/ou VHF das estações costeiras e informar o telefone de terra com quem deseja manter contato.
Para ligações a cobrar: O serviço permite que os usuários embarcados possam solicitar ligações a cobrar no telefone em terra, sendo necessário que o usuário de terra se responsabilize pela ligação.

A figura a seguir, mostra o fluxo das chamadas de terra para a embarcação.


Referência sobre o SMM: http://portal.embratel.com.br/movelmaritimo/como-fazer-ligacoes/

domingo, 16 de março de 2014

Foto oficial

Em 19/04/1960 ocorreu no Japão a solenidade de entrega do Navio Tanque Presidente Deodoro. Esta entrega é o momento em que o construtor, neste caso o estaleiro japonês NKK, passa o comando do navio ao armador, neste caso a Petrobras (Fronape - Frota Nacional de Petroleiros).

Vocês vão perceber que eu voltarei várias vezes ao assunto da construção do N/T Presidente Deodoro, pois há muitos registros sobre isso guardados comigo.

Na fotografia abaixo, parte da tripulação do navio, junto com as autoridades presentes neste dia, posando para esta foto oficial. Não dá para perceber nesta publicação, mas a foto possui a marca d´água do estaleiro NKK. O mais interessante desta foto é que os nomes de muitas dessas pessoas foram anotados no verso pelo meu pai e eu os reproduzo aqui, acrescentando alguns nomes completos que eu consegui pesquisar. Isso permite a identificação por parte de parentes, descendentes e talvez de alguns contemporâneos. Nesta época meu pai tinha 38 anos e hoje, se estivesse vivo, teria 91 anos.


Na foto, sentados: Mr. Clayton, Sr. Roberto Wood, Consul, Sra. R. Wood, Ministro João Augusto de Araujo Castro, Mr. Azuma, Comandante Veiga Mattos, Mr. Komaki, criança (filho do Comandante Lindemberg), Comandante Lindemberg, Sra. Zilda Jordão (madrinha do navio e esposa do Comandante Jordão), Sra. Com. Lindenberg, Comandante Jabory Nepomuceno de Oliveira, Sra. Ministro Araujo Castro, Comandante José de Carvalho Jordão (Adido Naval do Brasil em Tokyo) e Mr. Philips do LLoyd´s Register. De pé: 2º Maquinista, 3º Maquinista Reynaldo, Ohno, Kimura, 6 japoneses, 1º Radio telegrafista, 2º piloto Bassili, Imediato, Chefe de Máquinas Mizutani, 2º Radio telegrafista Geraldo, 3º Maquinista Rosemiro, 1º Piloto Waldomiro, 3 japoneses, Mr. Hayakhwa, 4 japoneses, Mr. Takikawa, 6 japoneses, Mr. Kakinuma e 1 japonês.   

domingo, 9 de março de 2014

As poesias do comandante

Álbum de poesias
O mar inspira os poetas, talvez pela imensidão, solidão ou contemplação... E meu pai gostava de escrever poesias durante as viagens. Ele nunca as publicou, provavelmente porque achava que era algo particular que não teria interesse para outros. Lembro que minha tia Lourdes, escritora e poeta, chegou a incentivá-lo algumas vezes.

Sendo assim, publico neste blog, em primeira mão, alguns desses versos. Eles são extremamente simples e "caseiros", se é que eu posso chamar assim e vocês entenderão ao lerem alguns deles. Falam de amor e demonstram a fé na presença de Deus conduzindo as nossas vidas. Como o meu objetivo neste blog é homenagear a memória do meu pai, fica este registro de um outro lado do Comandante Veiga Mattos.

A fonte desses dados é um álbum que ele preparou e deu de presente para a minha mãe, no Natal de 1971. Tudo indica que ele juntou poesias que escreveu ao longo de um tempo, datilografou e colou nas páginas desse álbum. Vejam, a seguir, alguns desses versos, em seu formato original. É necessários clicar sobre a foto para conseguir ler bem.

Dedicatória do álbum

Criança
A união dos amigos
Para completar este assunto, transcrevo algumas trovas que estão no final do álbum. Se, em alguma semana, eu estiver sem inspiração para a atualização do blog, colocarei uma das dezenas de poesias que estão registradas neste álbum.

Trovas

Como uma fada bondosa,
Chegaste devagarinho;
Como aurora radiosa,
Iluminas meu caminho

   - x - x - x - x - x -

Do dia as horas são poucas
E os minutos não bastam,
P´ra contar as coisas loucas
Que o nosso mundo devastam.

   - x - x - x - x - x -

Nesta trova não me atrevo,
Não sei como me expressar,
Dizer do amor que te devo,
E não sei como pagar.

domingo, 2 de março de 2014

Problemas práticos sobre marés

Conhecer os tempos e movimentos das marés é algo fundamental para os marítimos. E para isso são consultadas as tábuas de marés, tabelas que indicam essas informações para os diversos portos do mundo. Com essas informações é possível saber os horários da maré alta, a altura e programar a permanência, saída ou chegada de acordo com as características do navio ou da carga. Sobre este assunto, transcrevo aqui mais um dos artigos técnicos do Comandante Veiga Mattos. Com o título "Problemas práticos sobre marés", ele foi publicado no Boletim Técnico e Informativo da Fronape, em 1964. Você pode ter acesso à íntegra do artigo, clicando aqui. O objetivo do artigo foi apresentar uma solução para o problema de não ter acesso a uma tábua de marés. Vejam o trecho abaixo:
"Algumas vêzes, ocorre não termos Tábuas de Marés à mão. Isto se dá mais freqüentemente no início do ano, quando devido a longas viagens, não conseguimos obter, em tempo útil, as tábuas referentes ao nôvo ano, pelo óbvio motivo de não ter tocado em nenhum porto de recurso. Como proceder, pois, numa situação dessas? Necessitamos saber a hora da preamar, a altura da maré, etc.; por exemplo, para demandarmos determinado pôrto ou dêle zarparmos." (MATTOS, 1964)
O problema relatado no artigo já acabou, uma vez que essas tábuas estão disponíveis na Internet, existe comunicação por satélite e muito mais. Mas é interessante observar como o conhecimento e a tecnologia oferecem soluções para os mais diferentes problemas práticos. Além dos marítimos, os pescadores são outro grupo de pessoas que se interessam muito pelas tábuas de marés.

Dados para citação do artigo: MATTOS, E.V., Problemas práticos sobre marés. Boletim Técnico Informativo da Frota Nacional de Petroleiros, ano X, nº49, pg 12-15, março de 1964. Guanabara.


domingo, 16 de fevereiro de 2014

Lançamento do Navio Anápolis

Comandante Veiga Mattos discursando na
 cerimônia de entrega do N/T Anápolis.
É sempre uma honra para um comandante, a incumbência de ser o primeiro a comandar um navio, recebendo-o ao término da construção. E foi o que aconteceu de novo com o Comandante Veiga Mattos, quando a Fronape o indicou para o comando no N/T Anápolis, construído pelo estaleiro Verolme, em Angra dos Reis, no ano de 1976.

O navio Anápolis foi um dos últimos da série de navios construídos pela Verolme para a Petrobras, entre os anos de 1972 a 1976, sendo eles os navios Alagoas, Amazonas, Amapá, Atalaia, Aracaju, Avaré, Anápolis e Araxá.

O Anápolis era um típico navio de cabotagem, para transporte ao longo da costa brasileira, além de Venezuela e Caribe. Seu nome foi dado em homenagem à cidade de Anápolis, em Goiás.

Este foi um navio do qual meu pai gostou muito, permanecendo alguns anos no comando. As fotos desta postagem são da cerimônia de entrega do navio, em 1976. Nesta ocasião, meu pai tinha 54 anos. A propósito, eu estava presente, com 13 anos, e tudo indica que fui eu o autor dessas fotos "extra-oficiais". Observem que são aquelas fotografias pequenas e quadradas, das máquinas Kodak de amadores...

A foto abaixo mostra a tripulação do navio no convés, posando para a fotografia. Desejo muito que a foto possa ser vista por alguns dos tripulantes, que infelizmente, não tenho o registro dos nomes. Meu pai é o primeiro da direita para a esquerda.

Tripulação do N/T Anápolis no convés

Na próxima foto, a população perfilada no convés.

Tripulação perfilada na cerimônia de entrega do navio

Em seguida, o navio atracado e embandeirado. Uma preparação tradicional para as cerimônias.

N/T Anápolis embandeirado para a cerimônia

E a última foto é uma curiosidade. Pelo fato de o navio ter sido batizado em homenagem à cidade de Anápolis, a cerimônia contou com a presença do prefeito Jamel Cecílio, daquela cidade. Ele aparece ao centro, entre pessoas das quais não tenho registro. Suponho que ao lado seja a sua esposa. O empresário Jamel Cecílio, morreu prematuramente alguns poucos anos depois, em 1980, e seu nome foi dado a uma  das principais ruas de Goiânia.

Prefeito da cidade de Anápolis, Jamel Cecílio, ao centro, no convés do navio

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Trabalho marítimo e família

Um dos desafios dos marítimos é conciliar trabalho e família. Ainda mais no passado, quando a comunicação era muito mais difícil.

Umas das alternativas, quando possível, era embarcar a família no navio, em grandes ou pequenos percursos. E fazer a família curtir essa "integração".

A foto inicial é da minha mãe, com a mão no leme, curtindo pilotar um navio petroleiro, no final da década de 50 ou início de 60. Não identifiquei nenhuma pista para saber qual era esse navio.






Alguns anos depois, na década de 70, lá estava eu, repetindo a pose e curtindo também a aventura marítima, pilotando o navio tanque Presidente Washington Luís. Reparem que a característica do passadiço é a mesma nas duas fotos.
Infelizmente essas fotos não possuem anotações de datas e locais, mas suponho que tenha sido alguma viagem a Santos. Por causa das aulas, tínhamos que aproveitar viagens curtas que ocorressem no período de férias.


Muito antes dessas fotos, outra que destaca este aspecto de integração trabalho-família é esta do casal Eduardo e Lélia no Navio Petrobras Sul, na década de 50, provavelmente em Porto Alegre.

O local da foto deve ter sido escolhido estrategicamente para registrar o nome do navio.

E para terminar a sequência de fotos desta postagem sobre a vida dos marítimos, saibam que a bordo também tinha bloco de carnaval. Na foto abaixo, eu e os filhos do Orlando Leal, Chefe de Máquinas do navio , no meio do bloco formado pela tripulação, em alto mar. No meio deste bloco, do lado esquerdo, uniformizado, a figura querida do "doutor", como era chamado o enfermeiro de bordo João Gonçalves. Também sem data exata, mas por volta do início dos anos 70.

Fica registrado aqui o meu carinho e agradecimento a todas essas tripulações que me receberam tão bem nos meus embarques.







segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Nossa Senhora dos Navegantes

Imagem da Igreja de N.S.Navegantes,
 em Porto Alegre (RS)
No dia 2 de fevereiro é celebrado o dia de Nossa Senhora dos Navegantes. E este ano foi neste domingo. Meu pai tinha um quadro com essa imagem que lhe acompanhava sempre e que até agora está na casa da minha mãe. Foi durante a missa de hoje que eu me lembrei dessa devoção e tive a ideia de escrever sobre isso neste blog.

A designação Nossa Senhora dos Navegantes, originou-se no século XV, com a navegação dos europeus, especialmente dos portugueses. Aqueles que viajavam, pediam proteção à Nossa Senhora, para retornarem salvos à pátria. O simbolismo da mulher corajosa e orientadora dos viajantes, fez com que Maria fosse vista como uma eterna vencedora dos inimigos das tempestades. 

Essa devoção chegou ao Brasil com a colonização, através dos navegantes portugueses e espanhóis. É na cidade de Porto Alegre, que essa devoção alcança a sua maior expressão no Brasil, com a famosa procissão de Navegantes, realizada no dia 2 de fevereiro.

Coincidência ou não, foi na cidade de Porto Alegre, que um dia já foi chamada de Porto dos Casais, que o navegante Eduardo Veiga de Mattos encontrou a sua esposa, com quem casou em 1956. E assim, me perdoem o trocadilho, foi em Porto Alegre, sob a proteção de Nossa Senhora dos Navegantes, que meu pai encontrou o seu porto seguro.

Portanto, em homenagem a todos os navegantes e à sua fé, reproduzo aqui a Oração a Nossa Senhora dos Navegantes.

Ó Nossa Senhora dos Navegantes, Mãe de Deus, criador do céu, da terra, dos rios, lagos e mares, protegei-me em todas as minhas viagens. Que ventos, tempestades, borrascas, raios e ressacas não perturbem a minha embarcação e que monstro nenhum, nem incidentes imprevistos causem alteração e atraso à minha viagem nem me desviem da rota traçada. Virgem Maria, Senhora dos Navegantes, minha vida é travessia de um mar furioso. As tentações, os fracassos e as desilusões são ondas impetuosas que ameaçam afundar minha frágil embarcação no abismo do desânimo e do desespero. Nossa Senhora dos Navegantes, nas horas de perigo eu penso em vós e o medo desaparece, o ânimo e a disposição de lutar e de vencer tornam a me fortalecer. Com a vossa proteção e a benção de vosso Filho, a embarcação da minha vida há de ancorar segura e tranquila no porto da eternidade. Nossa Senhora dos Navegantes, rogai por nós. Amém.
Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre a devoção a Nossa Senhora dos Navegantes, em Porto Alegre, encontrei um pequeno documentário em curta metragem (9 minutos) que ilustra bem esta história.







domingo, 26 de janeiro de 2014

Carta e selos egípcios

Escrever cartas era um hábito do meu pai, até porque era quase o único meio de comunicação para quem estava longe. Nesta carta que ele escreveu para mim em 1975 (eu tinha 12 anos), ele estava em Cagliari (cidade na Ilha da Sardenha, Itália). Cagliari tem um dos maiores portos  do Mar Mediterrâneo e em posição estratégica.

Na carta, além das perguntas e comentários de uma conversa informal, ele sinaliza que tem intenção de vir participar da minha primeira comunhão, mas ainda não tem certeza. Essa é a realidade dos marítimos, nem sempre estão em terra firme nos eventos da família. Observem que ele fala que estava pressionando o Arimathea, que na verdade era um grande amigo dele e trabalhava no escritório da Fronape, no Rio. Provavelmente, estava tentando obter um desembarque ao chegar ao Brasil.

Como das outras vezes, estou reproduzindo a carta em sua forma original e transcrevendo logo abaixo por causa da letra. Dessa vez vou incluir alguns comentários ao longo do texto transcrito.

Cagliari, 3-10-75
Meu caro Ricardo
Muito progresso nos estudos, nos esportes e em tudo o mais, com muita saúde, paz e prosperidade. Aqui vai tudo OK, graças a Deus. Como vai o Vascão? Bem ? Aqui estamos totalmente por fora de tudo, pois não se ouve nada do Brasil há mais de um mês. E o seu time no colégio, continua vencendo?(comentário: eu devia estar enganando ele, pois sempre fui um tremendo pereba no futebol). E as aulas de piano? Está tocando cada vez melhor? (comentário: pois é, tentei aprender, mas hoje só sei dedilhar o parabéns prá você). Estou apertando o Arimathea sobre a Primeira Comunhão. Já falou também com ele? Seguem anexo alguns selos egípcios, embora papai esteja muito zangado com eles. Fale com a mamãe e peça a ela para ver a carta que eu mandei para o Arimathea, onde você vê o porquê da zanga. (comentário: provavelmente os egípcios estavam atrasando o prazo para carregamento do navio) No mais tudo bem. Tudo tranquilo. Somente saudades muitas e espero muito breve estarmos aí juntos novamente. Ok?
Abraço amigo do papai sempre seu, Eduardo

E dentro do envelope, além da carta, os selos egípcios, aqui colocados todos juntos em uma só imagem. Entre os registros desses 15 selos comemorativos vocês podem observar a campanha para a doação de sangue, a Organização Mundial da Saúde, a comemoração da reabertura do Canal de Suez.



domingo, 19 de janeiro de 2014

Le Nouveau Testament

Umas das exigências para os marítimos é o conhecimento de outros idiomas, uma vez que irão singrar os mares e chegar a diferentes portos do mundo. A língua inglesa é obrigatória, mas outras serão muito úteis para uma melhor comunicação. É o caso do idioma francês.

Meu pai tinha um bom domínio da língua inglesa mas não me lembro de vê-lo falar ou ler em francês. Entretanto, este exemplar do novo testamento, em francês, edição de 1958, revela que ele o utilizava para aprendizado.

Uma vez ele comentou que usar textos conhecidos facilitava o aprendizado de outra língua, o que me parece bem coerente.

Em uma postagem anterior eu comentei que ele tinha a mania de escrever em qualquer espaço disponível em papéis, agendas, livros. É o que ele fez com este exemplar do novo testamento, escrevendo, em português, alguns textos relacionados a leitura dos textos sagrados.

A foto a direita, mostra o novo testamento aberto em sua página inicial, contendo transcrições dele de uma orientação sobre a leitura da Bíblia. Não sei quem é o autor dessa orientação, mas achei interessante reproduzir o texto pela sua utilidade e atualidade. E mesmo que você clique sobre a imagem, ampliando, talvez não consiga entender a letra.

Como ler a Bíblia com proveito:
1- Leia com reverência e humildade, em atitude de ouvir a Deus.
2- Leia devagar, procurando descobrir a mensagem que o escritor sagrado quis transmitir.
3- Sublinhe as passagens que mais o impressionaram.
4- Memorize um verso cada dia e medite sobre ele.
5- Reserve uma hora certa para a sua leitura diária.
6- Forme o hábito de ler a Bíblia diariamente.
7- Leia anualmente a Bíblia toda, lendo três capítulos por dia e cinco no domingo. (divida os Salmos 119 em 11 trechos)
8- Ore sempre antes e depois de ler a Bíblia.
9- Não se esqueça que durante a sua leitura Deus pode falar a você e você a Ele.
10- Leia a Bíblia com a sua família.
11- Permita que ela guie a sua vida.
Imagino que ele tenha conseguido por em prática essas orientações, até porque a vida do mar exigia rotina e disciplina, as viagens eram longas, o contato com notícias era raro e a dificuldade de se comunicar com a família era bem grande. Porém, qualquer um pode por em prática, começando hoje. Bom proveito!


domingo, 12 de janeiro de 2014

Artigo: Maury, O primeiro hidrógrafo da América

Publicado em dezembro de 1969, sob o título "Matthew Fontaine Maury - o primeiro hidrógrafo da América" este artigo foi adaptado pelo comandante Veiga Mattos a partir de uma publicação original do "The Compass". Além dos seus artigos, meu pai traduzia e adaptava textos para serem publicados de forma mais acessível nos boletins da Fronape.

A Carta de Baleias de Maury
Usando o mesmo método do artigo da semana passada, considerei melhor e mais fácil, escanear as páginas do boletim, de tal forma que os interessados possam ler o artigo na íntegra, e ver as imagens que o complementam.

Em resumo, o artigo aborda a vida e o legado do Tenente Maury, da marinha dos EUA. Suas pesquisas foram direcionadas às correntes e aos ventos de tal forma que pudesse prever e traçar as melhores, mais seguras e menores rotas entre dois pontos de navegação. Segue um trecho do artigo:


Cinco anos foram dispendidos para completar a primeira de suas famosas cartas: “CARTA DE VENTOS E CORRENTES DO ATLÂNTICO NORTE”, publicada em 1847. A esta seguiram-se outras similares do Atlântico Sul, do Pacífico e do Índico. Tinha tal confîança em seu trabalho que previu grandes  diminuições nos tempos das travessias, se os Comandantes seguissem suas instruçöes. Dentro em pouco tempo os Capitães compreenderam que ele estava certo. Por exemplo: na rota NEW YORK/SÃO FRANCISCO, via Cabo Horn, eram gastos seis meses, que foram reduzidos à metade. Outro bom exemplo: a rota INGLATERRA/AUSTRALIA via Cabo da Boa Esperança, com retôrno pela mesma via. A viagem de ida era mais rápida pois que eram aproveitados ventos favoráveis. O retôrno, mesmo que o navio tivesse a felicidade de pegar uma  monção favorável era bem demorado. Ele observou que o retôrno via Cabo Horn era vantajoso, dada a natural ajuda dos fortes ventos de oeste, o que encurtava a viagem em cêrca de cinquenta dias. A descoberta destas rotas favoráveis veio facilitar suas pesquisas. Os Capitães deixaram de ser relutantes em suas informações e começaram a chegar-lhe as mãos abundantes dados, permitindo-lhe atualizar as cartas de navegação. Além disso milhões de dólares de economia foram proporcionados aos armadores com o encurtamento das rotas. (MATTOS, E.V., 1969)
E chegando nas conclusões, o autor afirma:
A influência de Matthew Fontaine Maury no mundo marítimo é incomensurável. Seus estudos, aos quais  se aplicou  diligentemente, revolucionaram por completo a ciência da navegaçäo, trazendo indubitáveis auxilios aos marinheiros em sua eterna luta com o mar.

O artigo está disponível na íntegra clicando aqui.

Para efeito de utilização em citações, passo as informações dessa fonte:
MATTOS, Eduardo Veiga. Matthew Fontaine Maury - o primeiro hidrógrafo da América. Boletim Técnico Informativo da Fronape nº 173, pg 24-28. Ano XVIII. Estado da Guanabara, 1969.


sábado, 4 de janeiro de 2014

Vantagens do Transporte Aquaviário

Hoje, vou iniciar a publicação de alguns artigos técnicos escritos pelo Comandante Veiga Mattos e publicados, em sua maioria, nos boletins técnicos e informativos da Fronape.
Como eu escrevi anteriormente, este blog não segue uma ordem cronológica, ou seja, ao longo das atualizações eu vou colocar artigos escritos antes ou depois deste primeiro aqui publicado.

Vantagens do Transporte Aquaviário: sob este título o artigo foi publicado no Boletim nº 170, da Fronape, no ano de 1969. Como eu estou valorizando aqui neste blog as fontes primárias, resolvi escanear as páginas do boletim ao invés de digitar o artigo (decisão que também torna a minha tarefa mais fácil e mais rápida). De qualquer modo, transcrevo o trecho inicial do artigo para que você tenha uma ideia do tipo de abordagem.

Felizmente, no momento presente, o nosso país está acordando para as vantagens que o transporte aquaviário apresenta sôbre as outras vias usuais. Fundou-se, inclusive, junto à PUC o instituto Superior do Mar, que mantém cursos de divulgação e informação. Oficiais das Marinhas de Guerra e Mercante, têm participado ativamente dêsses cursos, quer como conferencistas ou professôres, quer como alunos. Vamos aqui, sucintamente, figurar alguns dados comparativos entre os vários tipos de transportes e a influência que o desenvolvimento das vias navegáveis exerce sôbre a economia e o progresso das nações.
(Mattos, E.V., 1969)

A íntegra deste artigo (em pdf) você pode acessar clicando aqui.

Canal Elba-Havel: conexão com o Canal Mittelland (Alemanha)
Em seguida, o autor aborda exemplos de sucesso da navegação no Vale do Tennessee (EUA) e obras previstas para ampliação da navegação fluvial na Alemanha. Obras, diga-se de passagem, realizadas com êxito naquele país que conta, atualmente, com mais de 30 canais internos de navegação. O autor conclui com dados comparativos sobre os custos do transporte de petróleo e a importância dos navios-tanques para o desenvolvimento econômico. A foto ao lado serve para ilustrar que permanece o desenvolvimento da navegação aquaviária na Alemanha. Ela é de 2003, na inauguração de uma conexão entre o Canal Elba-Havel com o Canal Mittelland.

Embora o artigo comece de forma otimista, a história recente comprovou que o autor estava errado. Não em relação às vantagens do transporte aquaviário, mas quanto ao fato de o Brasil ter acordado sobre a importância deste meio de transporte. Durante anos a indústria naval brasileira ficou abandonada e os recentes investimentos estão praticamente restritos à indústria de petróleo e gás. Quanto às vias de navegação fluviais, bom, é melhor nem comentar.

Para efeito de utilização em citações, passo as informações dessa fonte:
MATTOS, Eduardo Veiga. Vantagens do Transporte Aquaviário. Boletim Técnico Informativo da Fronape nº 170, pg 6-8. Ano XVII. Estado da Guanabara, 1969.
Para ter acesso ao artigo na íntegra, clique aqui.

Dados da fotografia:
Elbe-Havel Canal: water bridge connection with Mittelland canal. 1 fot., color. In Britannica Escola Online. Web, 2014. Disponível em:
<http://escola.britannica.com.br/assembly/121043/The-2003-opening-of-the-water-bridge-that-connects-the>. Acesso em: 04 de janeiro de
2014.