domingo, 16 de março de 2014

Foto oficial

Em 19/04/1960 ocorreu no Japão a solenidade de entrega do Navio Tanque Presidente Deodoro. Esta entrega é o momento em que o construtor, neste caso o estaleiro japonês NKK, passa o comando do navio ao armador, neste caso a Petrobras (Fronape - Frota Nacional de Petroleiros).

Vocês vão perceber que eu voltarei várias vezes ao assunto da construção do N/T Presidente Deodoro, pois há muitos registros sobre isso guardados comigo.

Na fotografia abaixo, parte da tripulação do navio, junto com as autoridades presentes neste dia, posando para esta foto oficial. Não dá para perceber nesta publicação, mas a foto possui a marca d´água do estaleiro NKK. O mais interessante desta foto é que os nomes de muitas dessas pessoas foram anotados no verso pelo meu pai e eu os reproduzo aqui, acrescentando alguns nomes completos que eu consegui pesquisar. Isso permite a identificação por parte de parentes, descendentes e talvez de alguns contemporâneos. Nesta época meu pai tinha 38 anos e hoje, se estivesse vivo, teria 91 anos.


Na foto, sentados: Mr. Clayton, Sr. Roberto Wood, Consul, Sra. R. Wood, Ministro João Augusto de Araujo Castro, Mr. Azuma, Comandante Veiga Mattos, Mr. Komaki, criança (filho do Comandante Lindemberg), Comandante Lindemberg, Sra. Zilda Jordão (madrinha do navio e esposa do Comandante Jordão), Sra. Com. Lindenberg, Comandante Jabory Nepomuceno de Oliveira, Sra. Ministro Araujo Castro, Comandante José de Carvalho Jordão (Adido Naval do Brasil em Tokyo) e Mr. Philips do LLoyd´s Register. De pé: 2º Maquinista, 3º Maquinista Reynaldo, Ohno, Kimura, 6 japoneses, 1º Radio telegrafista, 2º piloto Bassili, Imediato, Chefe de Máquinas Mizutani, 2º Radio telegrafista Geraldo, 3º Maquinista Rosemiro, 1º Piloto Waldomiro, 3 japoneses, Mr. Hayakhwa, 4 japoneses, Mr. Takikawa, 6 japoneses, Mr. Kakinuma e 1 japonês.   

domingo, 9 de março de 2014

As poesias do comandante

Álbum de poesias
O mar inspira os poetas, talvez pela imensidão, solidão ou contemplação... E meu pai gostava de escrever poesias durante as viagens. Ele nunca as publicou, provavelmente porque achava que era algo particular que não teria interesse para outros. Lembro que minha tia Lourdes, escritora e poeta, chegou a incentivá-lo algumas vezes.

Sendo assim, publico neste blog, em primeira mão, alguns desses versos. Eles são extremamente simples e "caseiros", se é que eu posso chamar assim e vocês entenderão ao lerem alguns deles. Falam de amor e demonstram a fé na presença de Deus conduzindo as nossas vidas. Como o meu objetivo neste blog é homenagear a memória do meu pai, fica este registro de um outro lado do Comandante Veiga Mattos.

A fonte desses dados é um álbum que ele preparou e deu de presente para a minha mãe, no Natal de 1971. Tudo indica que ele juntou poesias que escreveu ao longo de um tempo, datilografou e colou nas páginas desse álbum. Vejam, a seguir, alguns desses versos, em seu formato original. É necessários clicar sobre a foto para conseguir ler bem.

Dedicatória do álbum

Criança
A união dos amigos
Para completar este assunto, transcrevo algumas trovas que estão no final do álbum. Se, em alguma semana, eu estiver sem inspiração para a atualização do blog, colocarei uma das dezenas de poesias que estão registradas neste álbum.

Trovas

Como uma fada bondosa,
Chegaste devagarinho;
Como aurora radiosa,
Iluminas meu caminho

   - x - x - x - x - x -

Do dia as horas são poucas
E os minutos não bastam,
P´ra contar as coisas loucas
Que o nosso mundo devastam.

   - x - x - x - x - x -

Nesta trova não me atrevo,
Não sei como me expressar,
Dizer do amor que te devo,
E não sei como pagar.

domingo, 2 de março de 2014

Problemas práticos sobre marés

Conhecer os tempos e movimentos das marés é algo fundamental para os marítimos. E para isso são consultadas as tábuas de marés, tabelas que indicam essas informações para os diversos portos do mundo. Com essas informações é possível saber os horários da maré alta, a altura e programar a permanência, saída ou chegada de acordo com as características do navio ou da carga. Sobre este assunto, transcrevo aqui mais um dos artigos técnicos do Comandante Veiga Mattos. Com o título "Problemas práticos sobre marés", ele foi publicado no Boletim Técnico e Informativo da Fronape, em 1964. Você pode ter acesso à íntegra do artigo, clicando aqui. O objetivo do artigo foi apresentar uma solução para o problema de não ter acesso a uma tábua de marés. Vejam o trecho abaixo:
"Algumas vêzes, ocorre não termos Tábuas de Marés à mão. Isto se dá mais freqüentemente no início do ano, quando devido a longas viagens, não conseguimos obter, em tempo útil, as tábuas referentes ao nôvo ano, pelo óbvio motivo de não ter tocado em nenhum porto de recurso. Como proceder, pois, numa situação dessas? Necessitamos saber a hora da preamar, a altura da maré, etc.; por exemplo, para demandarmos determinado pôrto ou dêle zarparmos." (MATTOS, 1964)
O problema relatado no artigo já acabou, uma vez que essas tábuas estão disponíveis na Internet, existe comunicação por satélite e muito mais. Mas é interessante observar como o conhecimento e a tecnologia oferecem soluções para os mais diferentes problemas práticos. Além dos marítimos, os pescadores são outro grupo de pessoas que se interessam muito pelas tábuas de marés.

Dados para citação do artigo: MATTOS, E.V., Problemas práticos sobre marés. Boletim Técnico Informativo da Frota Nacional de Petroleiros, ano X, nº49, pg 12-15, março de 1964. Guanabara.


domingo, 16 de fevereiro de 2014

Lançamento do Navio Anápolis

Comandante Veiga Mattos discursando na
 cerimônia de entrega do N/T Anápolis.
É sempre uma honra para um comandante, a incumbência de ser o primeiro a comandar um navio, recebendo-o ao término da construção. E foi o que aconteceu de novo com o Comandante Veiga Mattos, quando a Fronape o indicou para o comando no N/T Anápolis, construído pelo estaleiro Verolme, em Angra dos Reis, no ano de 1976.

O navio Anápolis foi um dos últimos da série de navios construídos pela Verolme para a Petrobras, entre os anos de 1972 a 1976, sendo eles os navios Alagoas, Amazonas, Amapá, Atalaia, Aracaju, Avaré, Anápolis e Araxá.

O Anápolis era um típico navio de cabotagem, para transporte ao longo da costa brasileira, além de Venezuela e Caribe. Seu nome foi dado em homenagem à cidade de Anápolis, em Goiás.

Este foi um navio do qual meu pai gostou muito, permanecendo alguns anos no comando. As fotos desta postagem são da cerimônia de entrega do navio, em 1976. Nesta ocasião, meu pai tinha 54 anos. A propósito, eu estava presente, com 13 anos, e tudo indica que fui eu o autor dessas fotos "extra-oficiais". Observem que são aquelas fotografias pequenas e quadradas, das máquinas Kodak de amadores...

A foto abaixo mostra a tripulação do navio no convés, posando para a fotografia. Desejo muito que a foto possa ser vista por alguns dos tripulantes, que infelizmente, não tenho o registro dos nomes. Meu pai é o primeiro da direita para a esquerda.

Tripulação do N/T Anápolis no convés

Na próxima foto, a população perfilada no convés.

Tripulação perfilada na cerimônia de entrega do navio

Em seguida, o navio atracado e embandeirado. Uma preparação tradicional para as cerimônias.

N/T Anápolis embandeirado para a cerimônia

E a última foto é uma curiosidade. Pelo fato de o navio ter sido batizado em homenagem à cidade de Anápolis, a cerimônia contou com a presença do prefeito Jamel Cecílio, daquela cidade. Ele aparece ao centro, entre pessoas das quais não tenho registro. Suponho que ao lado seja a sua esposa. O empresário Jamel Cecílio, morreu prematuramente alguns poucos anos depois, em 1980, e seu nome foi dado a uma  das principais ruas de Goiânia.

Prefeito da cidade de Anápolis, Jamel Cecílio, ao centro, no convés do navio

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Trabalho marítimo e família

Um dos desafios dos marítimos é conciliar trabalho e família. Ainda mais no passado, quando a comunicação era muito mais difícil.

Umas das alternativas, quando possível, era embarcar a família no navio, em grandes ou pequenos percursos. E fazer a família curtir essa "integração".

A foto inicial é da minha mãe, com a mão no leme, curtindo pilotar um navio petroleiro, no final da década de 50 ou início de 60. Não identifiquei nenhuma pista para saber qual era esse navio.






Alguns anos depois, na década de 70, lá estava eu, repetindo a pose e curtindo também a aventura marítima, pilotando o navio tanque Presidente Washington Luís. Reparem que a característica do passadiço é a mesma nas duas fotos.
Infelizmente essas fotos não possuem anotações de datas e locais, mas suponho que tenha sido alguma viagem a Santos. Por causa das aulas, tínhamos que aproveitar viagens curtas que ocorressem no período de férias.


Muito antes dessas fotos, outra que destaca este aspecto de integração trabalho-família é esta do casal Eduardo e Lélia no Navio Petrobras Sul, na década de 50, provavelmente em Porto Alegre.

O local da foto deve ter sido escolhido estrategicamente para registrar o nome do navio.

E para terminar a sequência de fotos desta postagem sobre a vida dos marítimos, saibam que a bordo também tinha bloco de carnaval. Na foto abaixo, eu e os filhos do Orlando Leal, Chefe de Máquinas do navio , no meio do bloco formado pela tripulação, em alto mar. No meio deste bloco, do lado esquerdo, uniformizado, a figura querida do "doutor", como era chamado o enfermeiro de bordo João Gonçalves. Também sem data exata, mas por volta do início dos anos 70.

Fica registrado aqui o meu carinho e agradecimento a todas essas tripulações que me receberam tão bem nos meus embarques.