domingo, 27 de abril de 2014

O que não se deve esquecer

Em dezembro do ano passado, eu escrevi aqui sobre o hábito do meu pai em realizar transcrições em cadernos, agendas ou qualquer papel. Naquela oportunidade, transcrevi um texto chamado "Prometa a si mesmo".

Daquela mesma agenda de 1981, que eu mencionei, escolhi agora outro texto anônimo para compartilhar neste blog, contendo 12 coisas que não se deve esquecer.

O que não se deve esquecer:
1- o valor do tempo; 2- a vitória da perseverança; 3- o prazer de trabalhar; 4- a dignidade da simplicidade; 5- o valor do caráter; 6- o poder da bondade; 7- a influência do exemplo; 8- o imperativo do dever; 9- a vitória da paciência; 10- a sensatez da economia; 11- o aperfeiçoamento do talento; 12- a alegria da criação.
Essas transcrições, eu voltarei a colocá-las aqui de vez em quando, pois são inspiradoras. Algumas delas, talvez por serem bem antigas, sequer estão disponíveis na internet. Esta, por acaso, eu encontrei em alguns sites, porém sem citação do autor. Portanto, permanece desconhecido.

Como eu disse anteriormente, ele usava o tempo livre nas viagens para ler e escrever. A televisão só pegava perto da costa, e os filmes, primeiro em rolos e depois em fitas de vídeo, só em horários marcados. Portanto, era um hábito útil e proveitoso.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Serviço Móvel Marítimo

Ouvir a voz das pessoas que amamos, mesmo quando estão distantes, é algo muito bom. Mesmo com toda a tecnologia de mensagens instantâneas, bate-papos eletrônicos, redes sociais etc, a voz ainda tem muita força emocional. Por isso, para os marítimos, em longas viagens, o surgimento do serviço de telefonia e rádio foi muito importante. Antes dele, somente telegramas e cartas ao se chegar a um porto, onde nem sempre era possível telefonar. Para os navios petroleiros, a viagem às vezes não chegava a um porto e a tripulação não ia em terra. (Eu explico: em alguns lugares, o abastecimento ocorria sem a necessidade de atracar o navio em um porto, pois isso ocorria em bóias às quais chegavam os oleodutos.)
Eu me lembro da dificuldade de localizar o navio e fazer contato no início desse serviço. Decorei dessa época o prefixo do N/T Anápolis, que era PPIB (Papa-Papa-Índia-Bravo). E aprendi a conversar com meu pai, a distância, falando "câmbio", pois de um lado era telefone e do outro o rádio VHF. Esse era o Serviço Móvel Marítimo. A reprodução abaixo, datilografada (isso mesmo), mostra os números de referência para essas ligações telefônicas e as instruções para o contato. Infelizmente, não tenho a referência de data deste papel, mas provavelmente é da década de 80.


Ao escolher este assunto, pesquisei sobre este serviço e descobri que ele ainda existe, e o número 141 ainda é a referência! E as estações costeiras também mencionadas acima. Porém, com um mesmo número nacional: 0800-7012-141.

A Embratel é a única prestadora do Serviço Móvel Marítimo (SMM) no Brasil. O SMM permite a comunicação através de rádio entre uma pessoa em terra e outra que esteja a bordo de uma embarcação e vice-versa, em qualquer parte do mundo. A empresa informa que este sistema ainda é o meio de comunicação mais usado pela comunidade marítima, embora exista a comunicação por telefonia celular e internet, mas esses serviços nem sempre estão disponíveis, dependendo da localização e da embarcação.

Como utilizar o serviço:
De terra para bordo: Para solicitar a ligação é necessário ligar para o Centro de Operações do Serviço Móvel Marítimo da Embratel, no telefone 0800 701 2141, informar os dados da embarcação, sua provável localização e o nome da pessoa com quem deseja se comunicar. Tão o logo seja mantido contato com a embarcação, a chamada será completada.
De bordo para terra: É necessário entrar em contato com o Centro de Operações do Serviço Móvel Marítimo da Embratel, através de um dos canais de chamada das faixas de freqüência de HF e/ou VHF das estações costeiras e informar o telefone de terra com quem deseja manter contato.
Para ligações a cobrar: O serviço permite que os usuários embarcados possam solicitar ligações a cobrar no telefone em terra, sendo necessário que o usuário de terra se responsabilize pela ligação.

A figura a seguir, mostra o fluxo das chamadas de terra para a embarcação.


Referência sobre o SMM: http://portal.embratel.com.br/movelmaritimo/como-fazer-ligacoes/

domingo, 16 de março de 2014

Foto oficial

Em 19/04/1960 ocorreu no Japão a solenidade de entrega do Navio Tanque Presidente Deodoro. Esta entrega é o momento em que o construtor, neste caso o estaleiro japonês NKK, passa o comando do navio ao armador, neste caso a Petrobras (Fronape - Frota Nacional de Petroleiros).

Vocês vão perceber que eu voltarei várias vezes ao assunto da construção do N/T Presidente Deodoro, pois há muitos registros sobre isso guardados comigo.

Na fotografia abaixo, parte da tripulação do navio, junto com as autoridades presentes neste dia, posando para esta foto oficial. Não dá para perceber nesta publicação, mas a foto possui a marca d´água do estaleiro NKK. O mais interessante desta foto é que os nomes de muitas dessas pessoas foram anotados no verso pelo meu pai e eu os reproduzo aqui, acrescentando alguns nomes completos que eu consegui pesquisar. Isso permite a identificação por parte de parentes, descendentes e talvez de alguns contemporâneos. Nesta época meu pai tinha 38 anos e hoje, se estivesse vivo, teria 91 anos.


Na foto, sentados: Mr. Clayton, Sr. Roberto Wood, Consul, Sra. R. Wood, Ministro João Augusto de Araujo Castro, Mr. Azuma, Comandante Veiga Mattos, Mr. Komaki, criança (filho do Comandante Lindemberg), Comandante Lindemberg, Sra. Zilda Jordão (madrinha do navio e esposa do Comandante Jordão), Sra. Com. Lindenberg, Comandante Jabory Nepomuceno de Oliveira, Sra. Ministro Araujo Castro, Comandante José de Carvalho Jordão (Adido Naval do Brasil em Tokyo) e Mr. Philips do LLoyd´s Register. De pé: 2º Maquinista, 3º Maquinista Reynaldo, Ohno, Kimura, 6 japoneses, 1º Radio telegrafista, 2º piloto Bassili, Imediato, Chefe de Máquinas Mizutani, 2º Radio telegrafista Geraldo, 3º Maquinista Rosemiro, 1º Piloto Waldomiro, 3 japoneses, Mr. Hayakhwa, 4 japoneses, Mr. Takikawa, 6 japoneses, Mr. Kakinuma e 1 japonês.   

domingo, 9 de março de 2014

As poesias do comandante

Álbum de poesias
O mar inspira os poetas, talvez pela imensidão, solidão ou contemplação... E meu pai gostava de escrever poesias durante as viagens. Ele nunca as publicou, provavelmente porque achava que era algo particular que não teria interesse para outros. Lembro que minha tia Lourdes, escritora e poeta, chegou a incentivá-lo algumas vezes.

Sendo assim, publico neste blog, em primeira mão, alguns desses versos. Eles são extremamente simples e "caseiros", se é que eu posso chamar assim e vocês entenderão ao lerem alguns deles. Falam de amor e demonstram a fé na presença de Deus conduzindo as nossas vidas. Como o meu objetivo neste blog é homenagear a memória do meu pai, fica este registro de um outro lado do Comandante Veiga Mattos.

A fonte desses dados é um álbum que ele preparou e deu de presente para a minha mãe, no Natal de 1971. Tudo indica que ele juntou poesias que escreveu ao longo de um tempo, datilografou e colou nas páginas desse álbum. Vejam, a seguir, alguns desses versos, em seu formato original. É necessários clicar sobre a foto para conseguir ler bem.

Dedicatória do álbum

Criança
A união dos amigos
Para completar este assunto, transcrevo algumas trovas que estão no final do álbum. Se, em alguma semana, eu estiver sem inspiração para a atualização do blog, colocarei uma das dezenas de poesias que estão registradas neste álbum.

Trovas

Como uma fada bondosa,
Chegaste devagarinho;
Como aurora radiosa,
Iluminas meu caminho

   - x - x - x - x - x -

Do dia as horas são poucas
E os minutos não bastam,
P´ra contar as coisas loucas
Que o nosso mundo devastam.

   - x - x - x - x - x -

Nesta trova não me atrevo,
Não sei como me expressar,
Dizer do amor que te devo,
E não sei como pagar.

domingo, 2 de março de 2014

Problemas práticos sobre marés

Conhecer os tempos e movimentos das marés é algo fundamental para os marítimos. E para isso são consultadas as tábuas de marés, tabelas que indicam essas informações para os diversos portos do mundo. Com essas informações é possível saber os horários da maré alta, a altura e programar a permanência, saída ou chegada de acordo com as características do navio ou da carga. Sobre este assunto, transcrevo aqui mais um dos artigos técnicos do Comandante Veiga Mattos. Com o título "Problemas práticos sobre marés", ele foi publicado no Boletim Técnico e Informativo da Fronape, em 1964. Você pode ter acesso à íntegra do artigo, clicando aqui. O objetivo do artigo foi apresentar uma solução para o problema de não ter acesso a uma tábua de marés. Vejam o trecho abaixo:
"Algumas vêzes, ocorre não termos Tábuas de Marés à mão. Isto se dá mais freqüentemente no início do ano, quando devido a longas viagens, não conseguimos obter, em tempo útil, as tábuas referentes ao nôvo ano, pelo óbvio motivo de não ter tocado em nenhum porto de recurso. Como proceder, pois, numa situação dessas? Necessitamos saber a hora da preamar, a altura da maré, etc.; por exemplo, para demandarmos determinado pôrto ou dêle zarparmos." (MATTOS, 1964)
O problema relatado no artigo já acabou, uma vez que essas tábuas estão disponíveis na Internet, existe comunicação por satélite e muito mais. Mas é interessante observar como o conhecimento e a tecnologia oferecem soluções para os mais diferentes problemas práticos. Além dos marítimos, os pescadores são outro grupo de pessoas que se interessam muito pelas tábuas de marés.

Dados para citação do artigo: MATTOS, E.V., Problemas práticos sobre marés. Boletim Técnico Informativo da Frota Nacional de Petroleiros, ano X, nº49, pg 12-15, março de 1964. Guanabara.