domingo, 31 de agosto de 2014

Durante a 2ª Guerra

Em 22 de agosto de 1942, o Brasil entrou na 2ª Guerra Mundial, quando o governo brasileiro tomou a decisão de se juntar aos "Aliados" (liderados por URSS, EUA e Império Britânico), contra as "potências do Eixo" (Alemanha, Itália e Japão). Meu pai, então com 19 anos, estava no arquipélago de Fernando de Noronha, servindo no Exército Brasileiro. A região passou por uma ocupação militar, a partir de fevereiro de 1942, por determinação do Conselho de Segurança Nacional, tendo em vista a sua localização estratégica para as forças militares aliadas.

Assim nos ensina a professora Marieta Borges*: "Cumprindo a determinação, cerca de três mil “pracinhas” foram enviados para o Arquipélago, com todas as dificuldades da arriscada travessia. Lá, por todos os lados, implantou-se o esquema de acomodação dos soldados e de recebimento e instalação de mais de cinqüenta canhões, de outros equipamentos bélicos e de veículos."

Eu já havia tratado desse assunto aqui neste blog, em dezembro de 2013, porém localizei mais uma foto histórica neste acervo pessoal sobre esse período e reproduzo aqui com a legenda, isto é, com a anotação escrita por ele no verso da foto, três dias após a formalização do reconhecimento do estado de guerra por parte do Brasil.

A seção da Floresta após o memorável tiro de 25-VIII-942. F.Noronha.
Pesquisando na internet sobre o assunto, encontrei também a foto seguinte, onde, por coincidência, ele também aparece:



Dois anos depois, em 1944, ele já havia retornado ao Rio de Janeiro, onde, na condição de 3º sargento do Exército, completou o curso de aperfeiçoamento na Escola de Artilharia de Costa. Atualmente essa Escola funciona na Vila Militar, mas na época era na Fortaleza de São João, na Urca, onde hoje está a Escola Superior de Guerra. A anotação no verso é sucinta, mas na foto a marcação em volta do seu rosto é evidente.

Na Escola de Artilharia de Costa - Rio 1944

* Referência: Marieta Borges. Fernando de Noronha e a segunda guerra mundial. Disponível em marietaborges.blogspot.com.br. Acesso em 31 de agosto de 2014.

domingo, 10 de agosto de 2014

Outros momentos de lazer - no Japão

Em momentos de lazer, durante o período que ficou no Japão, em 1960, trabalhando na construção do N/T Presidente Deodoro, meu pai fez alguns passeios. As duas fotografias que selecionei para hoje, simbolizam bem esses momentos, na companhia do colega Mizutani. Observem que o traje era paletó e gravata, mesmo sendo um sábado! A primeira foto tem uma "legenda" escrita por ele no verso que dá explicações sobre o local.

No verso está escrito assim: "6-2-60. Tomando água num bar próximo a praia de Yuiga-hama ao sul da cidade de Kamakura, onde está a célebre estátua do grande Buddha. Esta praia continua em outra chamada Schichiriga-hama. Por aí se vê que praia em japonês é hama. Ambas dão para o golfo de Sagami. Em frente fica a ilha de Enoshima."
O mapa a seguir, ilustra o local descrito acima, para você se localizar.


Na foto seguinte, eles estão em frente à estátua do Grande Buddha de Kamakura. Essa estátua, no templo de Kotoku-in, é uma das mais conhecidas e visitadas no Japão. Instalada a céu aberta, construída no ano de 1252, em bronze e cobre, ela atrai visitantes de todo o mundo até hoje. Para conhecer mais sobre esse templo, visite o seu portal no endereço http://www.kotoku-in.jp

Em frente ao Grande Buddha de Kamakura, em 06/02/1960.


domingo, 27 de julho de 2014

Momentos de lazer em família

Nem sempre o período de férias escolares coincidia com as férias do meu pai. Ou embarcávamos com ele ou fazíamos algumas viagens curtas para aproveitar momentos em família.
Depois de tanto tempo colocando textos e imagens relacionadas ao trabalho, escolhi algumas fotos para mostrar esses momentos de lazer aqui neste blog. Todas as fotos são da década de 70, mas não identifiquei a data exata.

A primeira delas, mostra o casal Eduardo e Lélia, em Friburgo, no Hotel Bucsky. Um hotel que existe até hoje. Eles gostavam muito deste local e fomos várias vezes em período de férias.
No hotel Bucsky, em Friburgo
A próxima foto tem uma característica que se repete em outros momentos. Era comum viajarmos acompanhados de algum amigo ou parente. Neste caso, em São Lourenço, com o meu primo José Eduardo. Sempre fomos muito amigos, além de primos, e estávamos juntos em várias oportunidades.

José Eduardo, Ricardo e Eduardo em São Lourenço
Na sequência, pai e filho curtindo uma praia em Angra dos Reis. Ele preferia piscina, e raras vezes viajamos para locais de praia. Talvez porque ele estava sempre no mar e preferia mudar de ares... Aliás, acho que esta vez, em Angra, foi durante a construção do N/T Anápolis, que ficava ali pertinho, no estaleiro Verolme. E vejam que esta praia era quase uma piscina.

Ricardo e Eduardo, em Angra dos Reis.
E para finalizar esses momentos de lazer em família, um exemplo de como os marítimos celebravam as festas no próprio navio, quando não era possível conciliar essas datas com as férias. A foto mostra a mesa da ceia de Natal, na popa de um navio. Por uma indicação na lateral da foto, foi no Natal de 1976; portanto é quase certo que tenha sido no N/T Anápolis. O meu pai aparece de frente, sorrindo, eu estou meio de lado, logo atrás dele e ao fundo a figura querida do "doutor", como era chamado o enfermeiro de bordo, João Gonçalves.

Ceia de Natal a bordo, em 1976.

sábado, 24 de maio de 2014

Voltando ao Manual do Navegante

Um dos livros utilizados nos estudos iniciais do Comandante Veiga Mattos, foi o Manual do Navegante - Regras e preceitos da lide do mar. Tratei deste Manual em novembro de 2013, neste blog. Resolvi voltar a ele, pois o seu capítulo inicial é dedicado ao tema da nomenclatura e descrição sumária de um navio.

Almte. Ivens Ferraz, autor do Manual
O que eu tenho em mãos, é a quarta edição, de janeiro de 1950, tornando interessante a forma de apresentação dessas definições. Considerem que foi escrito em Portugal, por um oficial da Marinha Portuguesa, o vice-almirante Guilherme Ivens Ferraz (1865-1956), cuja foto eu coloquei aqui ao lado.

Essa trasncrição de alguns itens desse capítulo, eu dedico aos marítimos e aos que se interessam pelas fotos, histórias e artigos que eu vou colocando neste blog. E imagino o meu pai lendo e fazendo as suas anotações, a partir deste livro, no início de sua carreira profissional.


PARTE I
NOÇÕES SOBRE O ESTUDO DO NAVIO

CAPÍTULO I
Nomenclatura e descrição sumária de um navio

Navio, barco ou embarcação. - Chama-se assim a todo o flutuador estável, estanque e resistente destinado a navegar no mar.

Casco. - É o invólucro exterior do navio e que o torna impermeável à água. Consta de fundo, encolamento e costado e da sua forma dependem em grande parte a velocidade e qualidade náuticas do navio.

Proa (Pr.) é a parte anterior do casco oposta à popa, em forma de cunha para cortar fàcilmente o mar. Popa (Pp.) é a parte posterior do navio.

Estibordo (EB) e Bombordo (BB) são, respectivamente, os bordos direito e esquerdo do navio, olhando para a proa.

Convés. - É o chão de qualquer pavimento. Às primeiras fiadas de madeira ou chapa do convés junto às amuradas, chama-se trincants.

Estiva, bailéu e porão. - O espaço interno do navio abaixo do último pavimento chama-se estiva ou porão de estiva. Ao fundo da estiva chama-se bailéu. À parte mais baixa da estiva, para onde correm as águas de infiltração, chama-se porão ou sentina.

Âncoras. - Ou ferros, são peças que, lançadas para o fundo do mar, servem para sustentar os navios presos nos ancoradouros. Os ferros estão ligados ao navio por correntes, amarras, constituídas por anéis de ferro chamados elos. O comprimento da amarra é de 120 braças, divididas em quarteladas de 15 braças cada, ligadas por manilhas.

Leme. - É o aparelho destinado ao governo do navio, colocado à popa encostado ao cadaste, e compõe-se de madre, porta e cachola.

Paióis. - Espaços onde se arrumam mantimentos e artigos necessários aos serviços de bordo (Paióis de carvão, Paiol da amarra, etc.).

Tanques. - Destinados ao transporte de combustível líquido, água doce, etc.

domingo, 4 de maio de 2014

Ao Comandante LUZ

Nas minhas pesquisas para este blog, fiz contato com o Comandante Luz (José Maria Martins da Luz), que também trabalhou na Frota Nacional de Petroleiros - FRONAPE, atuando como Capitão de Longo Curso.
E descobri um enorme acervo de fotos e filmes relacionados à marinha mercante brasileira. Com certeza, o maior acervo pessoal de um marítimo. O Comandante Luz, organizou de uma maneira inacreditável, uma quantidade enorme de informações desde a sua formação até hoje, incluindo momentos de trabalho e lazer, com a família e os colegas e amigos.

Portanto, ele é um daqueles que vibra com a profissão e com o seu legado. Na troca de mensagens ele me informou que teve um contato com o meu pai, Comandante Veiga Mattos, em fevereiro de 1980, ao render as férias do Imediato Dias, no navio Anápolis.

Bom, divulgo aqui o endereço no qual o Capitão LUZ armazena esse maravilhoso acervo, imperdível para todos aqueles que se interessam pela marinha mercante e pelos marítimos:

https://www.flickr.com/photos/cmt-luz/sets/

E para ilustrar, escolhi esta foto do Comandante Luz, no N/T Aratu, provavelmente piloto naquela época.