domingo, 14 de junho de 2015

Relíquias e história da FRONAPE

O comandante Veiga Mattos era apaixonado pela profissão e pela empresa na qual trabalhava, a PETROBRAS. Aliás, quando a empresa foi criada ele já trabalhava embarcado, uma vez que naquela época, a Frota Nacional de Petroleiros (FRONAPE) integrava o Conselho Nacional do Petróleo (CNP), sendo incorporada à Petrobras logo após a sua fundação, em agosto de 1953.

Criar uma empresa de petróleo no Brasil representou um desafio a todos aqueles que achavam que o Brasil deveria ser um importador obediente de óleo e derivados. Essa e outras decisões nacionalistas do governo, como foi o caso da Companhia Siderúrgica Nacional, serviram como alguns dos principais itens da ira oposicionista e custaram a vida do presidente Getúlio Vargas.

Lendo as notícias dos jornais, e vivendo o dia-a-dia de especulações e ataques à maior empresa brasileira, vasculhei mais uma vez os armários em busca de inspiração para atualização deste blog. O desenho acima, feito por mim, na década de 70, mostra de forma clara a influência da empresa na vida do meu pai e da família. E a bandeira brasileira representada no desenho, comprova a identidade histórica da empresa com o Brasil. Ao longo dos anos, comemorando as conquistas da empresa, várias lembranças foram produzidas e agora são verdadeiras relíquias históricas; algumas delas eu juntei, fotografei e coloco aqui para vocês verem.

Relíquias de valor afetivo

Entre essas relíquias, de uma outra agenda velha, do ano de 1975, sem capa e meio rasgada, reproduzo o histórico da Fronape ali registrado, para quem não conhece.

"A 13 de março de 1949, o Presidente da República, General Eurico Gaspar Dutra, sancionou a Lei 650 que abria crédito destinado ao Conselho Nacional do Petróleo, a fim de construir uma refinaria a ser instalada no Estado da Bahia e à compra de navios petroleiros, num total de 180.000 toneladas de expoente de carga.
A História evidencia que a autonomia de transporte no mar é imprescindível ao progresso, em se tratando de produtos de petróleo isto é ainda mais importante.
Assim, o decreto nº 28050, de 25 de abril de 1950, assinado pelo Presidente Getúlio Vargas criou então a Frota Nacional de Petroleiros, regulamentada pelo decreto 29006, de 20 de dezembro do mesmo ano.
O primeiro navio da FRONAPE foi o sueco "VENUS" de 16.200 toneladas e na época o maior da América Latina que, ao hastear a bandeira brasileira em 29 de dezembro de 1949 foi rebatizado como "Presidente Dutra", chegando ao Rio no mês de janeiro de 1950.
A 13 de novembro de 1952 o regulamento para a Frota Nacional de Petroleiros foi aprovado pelo decreto 31.775 que a subordinou ao Conselho Nacional do Petróleo.
A lei 2.004 de 3 de outubro de 1953 que instituiu o Monopólio Estatal de várias atividades no setor petrolífero fez que a FRONAPE passasse a integrar a PETROBRAS e crescer com ela.
Esse crescimento originou na organização da PETROBRAS, a criação de Departamentos entre os quais o de Transporte ao qual ficou afeta a FRONAPE.
Os nossos petroleiros sempre singraram os mares transportando suas cargas até os mais longínquos confins da Terra.
De 22 navios cuja tonelagem de porte bruto ia de 2 a 20 mil toneladas no estágio inicial a FRONAPE teve que crescer acompanhando o desenvolvimento até que um só de seus navios atuais tenha de porte bruto mais que toda a frota pioneira.
Os 39 hoje em operação fazem da FRONAPE a maior empresa ao sul do Equador.
Levam o petróleo  derivados a todos os pontos do Brasil e do exterior.
Quando são insuficiente afretam-se navios estrangeiros. Quando é conveniente também afretamos os nossos navios a terceiros no exterior."
Histórico na agenda (1975)

Em 1998 esta frota foi transferida para uma subsidiária (TRANSPETRO) criada para concentrar as atividades de transporte, contemplando oleodutos, gasodutos, terminais e uma frota atual de 52 navios. De acordo com notícias publicadas em alguns jornais, esta empresa está entre os ativos que podem ser vendidos pela PETROBRAS, dentro de um plano de "reestruturação". Se for verdade, dessa história gloriosa e desses navios que nos representam em todo o mundo, só vai sobrar a memória dos petroleiros e vapozeiros.

Dessas relíquias, destaco também o simpático Petrolino, figura de frente neste calendário de 1970.





2 comentários:

  1. O Comandante Veiga Mattos foi um exemplo de profissional e de ser humano. Foi uma honra ter embarcado com ele e privar de sua amizade. Luiz Antonio Souto Monteiro

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Prezado Comandante Luiz Antônio, muito obrigado por essas palavras e por registrar aqui o seu comentário.

      Excluir

Envie o seu comentário